16
Fev

Ok, este NÃO é o tão prometido post pocotó. Mas é necessário, eu juro.  O assunto não é novidade para muitos. Apenas gostaria de dar minha opinião sobre – já que não encontrei tantas resenhas/críticas/opiniões colocadas dessa forma, a respeito.
Estava eu perdida nesta segunda-feira, sem saber como escapar novamente dos desfiles de escolas – nada contra, eu simplesmente não gosto de ver – quando tive a feliz idéia de assistir, com familiares, ao filme Besouro. Infelizmente, nossa sessão de cinema foi à moda Jack Sparrow (antes que pensem bobagem, eu fiz o download, ok? Nada de barraquinha). Mas ainda assim, deliciosa.

Quando vi o trailer, em 2009, fiquei ouriçada para ver o filme. Aquilo prometia. Como tantos outros já disseram, o cinema nacional anda(va) estereotipado demais: ou o filme falava de bandidos, ou da polícia, ou do crime, ou era mais um jeito da Globo aproveitar roteiros de novela descartados em comédias românticas e dar o que fazer para suas grandes estrelas no celeiro. Suspense, ficção, aventura… São coisas que não fazemos por aqui. E Besouro veio pra mudar isso. Qual o nerd brasuca que, ao se deparar com o trailer, não ficou ouriçado esperando um épico digno de O Tigre e o Dragão?

Foi muita expectativa até o lançamento nos cinemas. E eu até compreendo a frustração de alguns, que declararam Besouro ruim. Mas discordo completamente. Besouro é ÓTIMO. Ele poderia ser excelente, primoroso, magnífico. Mas ele já é ótimo, por valorizar – e muito – aspectos da cultura brasileira há muito esquecidos;  mostrar que temos bem aqui todo o conteúdo necessário pra diversificar o mundo cinematográfico; mostrar que temos os recursos necessários para filmar QUALQUER coisa – mais que isso, só se a Pixar fizer uma filial aqui; e, sobretudo, Besouro deu o empurrão para as gerações de agora ou depois. Agora, eles podem qualquer coisa. Besouro é ótimo, por ser o nosso começo. É o nosso Star Wars.

“Ai, que exagero”
Não acho. Antes desse filme, nossa indústria cinematográfica seguia uma receita de bolo certinha para o sucesso – o que de certa forma, tornou o cinema nacional maçante; exceto raras exceções, a dobradinha favela + comédia romântica era tudo que tínhamos. Agora, chegou o divisor de águas, dizendo que, para fazer um filme desses, é só querer. MESMO. Star Wars também marcou a história do cinema americano, mudando completamente o modus operandi de Hollywood e abrindo caminho para muitos e muitos roteiros que hoje temos como clássicos – incluindo as aventuras do Homem de Ferro. Aguardo o segundo filme ansiosamente.

Concordo: o Besouro poderia ser menos histórico e mais mitológico; poderia ter longos dreadlocks, sorrir e gingar mais com seu corpo fechado (faltou malemolência no Ailton Carmo); os orixás representados poderiam – e deveriam – ter mais força e participação na história; as cenas de luta deveriam ser maiores, mais trabalhadas e mais empolgantes – como disse o Graveheart, passamos o filme todo criando expectativas para o mega embate entre Besouro e o Coronel, onde ele com certeza queimará seu cosmo até o sétimo sentido para conquistar seu bankai e transformar-se no Supersayajin que purificará a terra do imundo Satan Goss; e quando chega o momento… Puf – e certos dramas poderiam ser mais explorados. Sim, tudo isso poderia ter acontecido. Tudo isso deveria ter acontecido e o diretor João Daniel Tikhomiroff nos deixou um pouco na mão quando não fez acontecer. Mas…

O que está nas telas já é lindo. Esse é o espírito, e talvez seja essa a mensagem no fim do filme. É só o começo. Estejam atentos, entendam as histórias da cultura de vocês. Fantasiem sobre essas coisas. Queiram inovar. Queiram criar heróis em nossas telas. Queiram viver novas realidades nelas; queiram mergulhar em universos malucos, diferentes, únicos. É só querer. Nosso Besouro já é herói. Ele deu um belo começo para todos nós. Mal posso esperar para ver o Besouro 2 – e pela última cena do filme, fica claro que a sequência chega a galope – com essas falhas corrigidas. Eu fico imaginando as nossas lendas, urbanas ou não, ganhando as telonas. Alguém mais consegue visualizar um Saci psicopata sanguinário, com perna decepada, querendo matar pessoas estilo Freddy Krueger? Ou uma Cuca from hell, criatura das trevas estilo Alien? Até o Chupacabras pode entrar nessa dança. E isso, só pra mencionar nossos mitos mais bobinhos. E agora… É só querer.

E quem sabe… Daqui a 20 anos, outros farão com Besouro o que Louis Leterrier faz agora com Fúria de Titãs. Se você não estava sabendo… Saiba antes que Zeus solte meu bichinho de estimação:

Gostou? Eu também. Espero poder prestigiar nos cinemas. E espero estar viva para ver Besouro Reloaded assim – saibam, Fúria de Titãs foi um filme no melhor estilo “torça o nariz” um dia. Até lá, vou torcer pras asas da imaginação banharem nossos queridos profissionais dessa indústria – os que estão e os que ainda virão – e vou fazer todas as crianças em casa entrarem para a capoeira. E vou cantar. Cordão de Ouro, Besouro.

Agora chega de post Pollyana. No próximo post, pizza indigesta para jantar.

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:: Comentários

    gravatar Claudinha 16-02-10 - 19:09
    Ah, fiquei meio assim quando vi as críticas ruins mas nunca deixei de ter vontade de assistir. Vou baixar! (woot)

    Bjooos


    gravatar rafael 16-02-10 - 19:13
    Gostei. Descreveu como eu penso: não é perfeito, mas é um ótimo filme. Assim como outros filmes, como Tróia que não é perfeito(por falhar em pontos na história e ter desvalorizado a principal luta) mas é um bom filme em vários pontos.
    Espero ver mais filmes brasileiros épicos como Besouro.

    gravatar Bia 16-02-10 - 19:24
    Bem.. não tive a oportunidade de ver o filme ainda mas desde que vi o trailer tenho essa vontade de ver apenas para confirmar se os brasileiros se superaram ou não.. pelo visto, parece que sim.. :)
    Já não era sem tempo.. ;P

    gravatar Carlos Saraiva 18-02-10 - 17:12
    Não assisti o filme mas o trailer me empolgou. Mesmo em filme como cidade de deus e o tropa de elite, o que me agrada é quando um dirertor brasileiro não ter medo de usar estilo que estamos tão acostuamdos em filmes estrangeiros. Essa necessidade de identidade brasileiro não é necessariamente deixar as influencias estrangeiras de lado.. Acho que artistas brasileiros sofrem disso, ao inves de fazer o que realmetne querem. E podemos justamente encontrar nossa propria maneira de dizer, nossa propria linguagem nos apropiando dessas maneiras tão conhecida de contar historia e ainda sim ser original. Mas sou propenso a gostar de coisas estranhas, não gosto de dizer se um filme é ruim ou bom, mas quando tem um sabor diferente acho que vale a pena assistir. Ainda que fosse uma tentativa fracassada, mas que seja uma tentativa para sair do velho mesmo. Fracasso digo na execução em si, não na questão de quanto dinheiro gerou…

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