04
Mar

Ok, eu sei. Ando muito política ultimamente – promises, promises. Mas ainda atraso os cavalinhos um pouco. Não que estejam prestando atenção nisso, com a febre de unicórnios solta por aí.

Joguinho engraçadinho, aliás. Mas nada original. Justamente quando temos tantas oportunidades de criar e trazer coisas novas, simplesmente “reciclamos” algo já existente, polimos um pouco e mandamos ao mundo. E todo mundo gosta, em todas as tribos. “Reciclar” é o novo preto.

É bacana colaborar com a natureza e “reciclar”. Mas eu gostaria de saber o que o material “reciclado” tem a dizer sobre isso. Como será que o original reage quando vê seu pedaço “reciclado” tomando outros rumos? E como será que o original se sente ao perceber que a reciclagem é fake?

Numa época que nos incentiva a criar, ser autênticos e expor novidades, as pessoas continuam a acreditar que a melhor receita para o sucesso é a “reciclagem”. E não estou falando de processar coisas usadas e transformá-las em coisas diferentes, às vezes novas e com muita utilidade para o mundo. Falo de pegar algo que não te pertence, mudar algumas vírgulas – ou cores, ou acordes, ou códigos, ou tamanho (né Steve Jobs?) – e mostrar ao mundo como se fosse seu para obter reconhecimento e “lucros” por isso.

Esta é a minha definição curta e grossa da palavra plágio, exposta em teoria nos dicionários – e a quem possa interessar, nas normas brasileiras que disciplinam direitos autorais – e na prática, nos lugares mais inesperados. E por mais que se produza todo tipo de alerta, protesto ou estudo contra essa prática, ela continua proliferando por aí, feito praga. Provavelmente o vírus HIV deve perguntar para o plágio como ele consegue se propagar de forma tão rápida, eficiente e silenciosa.

Infelizmente, não temos muito a fazer sobre essas cópias. Temos ferramentas e até algumas recomendações, mas elas não ajudam muito; podem estragar o visual do blog e não protegem o conteúdo. E não que os piratas da WebCaribe respeitem ou temam os selos Creative Commons que usamos. Nessas horas, a única defesa existente é o lema do escoteiro: sempre alerta.

Isso é triste, principalmente pra quem gosta dessa maluquice de escrever e é viciado nessa coisa de blogar. A gente pesquisa temas, novidades, busca opiniões, procura nas profundezas das masmorras do Google coisas bacanas pra trazer. Quebra a cabeça por horas, às vezes dias, pra fazer um texto gostoso de ler, e tudo isso sem receber um centavo. O prazer é nosso. O custo também.

E todo esse esforço cai por terra quando alguém acessa um link nosso, copia nosso texto, cola em outro canto e sai todo orgulhoso compartilhando no Twitter. “Ora vejam, meu super post novo”.  A parte mais humilhante? Quando você, pessoa autora que tanto trabalhou no texto, é citada no post-cópia como “fonte”. Comparação sentimental: quase o mesmo que chamar a mãe da criança de tutora, dona da creche ou similares.

(sim, vocês encontrarão esta cópia fora do ar. Aparentemente, o bom senso – ou o muque da honorável Dra. Lee – tocou a mente perturbada desta pessoa “ordinária” e sem autenticidade.)

O máximo que podemos fazer – além de seguir as recomendações de quem já se estrepou nessa – é escrever. Deixar registrado que não gostamos, e deixar claro que aquele texto brilhante é nosso. Mostrar que sabemos quem são os donos daquilo, que não temos cérebro de minhoca para engolir qualquer coisa. O engraçado é que agora, tem gente achando errado a blogosfera denunciar os plágios. Pois é, apontar os dedos para as cópias pode gerar um processo feio. Daqui a pouco, quem ligar para o disque denúncia vai preso – e isso seria cômico, se não fosse tão trágico.

Mesmo com esse quadro horrendo, acredito que ainda haja esperança. Creio que depois do feito de Sophia Stewart, as pessoas podem começar a pensar duas vezes antes de pressionar Ctrl + C em escritos alheios. Porque o crime compensa. Demora, mas compensa – e muito bem – a quem foi agredido.

E nem eu me iludo. Com tantos e tantos posts sobre plágio, o meu talvez seja só mais um. E talvez alguém ache que eu tirei isso de algum blog obscuro por aí, ou whatever. But I’ll say it loud: I’m a creative genious and I’m proud. Posso ser mais uma. Mas eu faço meus próprios textos “ordinários”.

Ok, parei de enrolar. E semana que vm eu solto logo a rodada de posts prometida, começando pelo pocotó. See ya.

Related Posts with Thumbnails
Share and Enjoy:
  • Print
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Live
  • MySpace
  • RSS
  • Technorati
  • Twitter
  • Yahoo! Bookmarks
  • email









:: Comentários

    gravatar rafael 04-03-10 - 8:46
    Plágio é uma tremenda sacanagem, em todas as formas de arte (textos, músicas, desenhos, etc). Só que há muitos meios de lucrar com blogs, e o pior é ver um plagiador lucrar com sua criação.

    gravatar Carlos Eduardo Saraiva 04-03-10 - 10:26
    Plágio é aborrecedor apesar de sonhar em algum dia encontrar textos meus sob outro nome, porque não consigo viver sem confusão.

    Que coisa feia irmãos “Xavosvichky, mas fiquei feliz por saber que justiça foi feita. Mas daí temos que olhar para aqueles casos que pessoas são plagiadas e passam um vida sem se dar conta ou mesmo sendo tratado como mentirosas. Mas esse grandes não estão nem ai, continuaram fazendo apesar que raramente me atraio por filmes assim, Matrix no caso gostei mas gostaria de ver o filme dando creditos devidamente..

    Quando a pessoa nunca criou algo elas simplesmente não compreendem como é ter seu trabalho “roubado”, seja em pirataria ou em plágio, seja música, software e afins. Falta uma espécie de consciência nessas questões. Recentemente descobri esse blog: http://naogostodeplagio.blogspot.com/ Que trata sobre plágio em traduções . Enfim parece que nada escapa disso..


» Deixe um comentário

Name:

Email:

Page:



Lekkerding


You know my face.

Follow Me Here!

Feeds Twitter
Vota, vai!



Copyrights.

Creative Commons License
Conteúdo protegido por Lekkerding sob a licença Creative Commons de Atribuição: vedada a criação de obras similares, a reprodução para uso comercial e/ou sem os prévios créditos.


Boa Leitura

Borboletando - Bispa Vivi, com notícias melhores que as da Gossip Girl. E pimentas afins, no moonwalk.

Búzios Beach Houses - As casas mais chiques de Búzios, a um click.

Freud não explica - As doutoras Bridget Jones e Lee Holloway analisando as loucuras do mundo masculino dos relacionamentos.

Global Voices - Fique por dentro das notícias da blogosfera.

Jardim Secreto - Poesias e reflexões saborosas de Felipe Damo sobre a vida – e tudo que a contém.

Memória Viva - Mantenha a memória da sua nação viva na internet.

Ourivesaria - Where the wild things are.

Persecutio Cronicae - Ótimo blog sobre Direito, Filosofia, Literatura e algumas considerações pessoais. Por Raphael Chaia, meu Vader favorito.

The Wolks - Quantos blogs sobre engenharia você conhece? Clique aqui e veja Daniel Aquino numa aventura super construtiva!

Inutilidade Pública - Para seu riso, deleite e distração!

Dois EXpressos - Coisa boa de ver, ouvir, ler... Enfim.

Pipoca Blog - Novidades do mundo das telonas, por Jader Plano B.

Hipnoseries - A tribo do Jack Sparrow se reúne aqui.


Friendly Feedly

Anseios e Ensejos - Poemas da Lekkerding...

Casa do Cacete - Aline T.H. – Sem mais. Esta mulher dispensa apresentações.

Claudinha - Ela é tão bacana que a gente até perdoa a crença dela na existência do Acre.

Portal Geek - The Mother Board.

Hearts Queen - Gamer, blogueira e tal. Confira o universo da Rainha de Copas!

Léo Ferreira - Just Leo

M.D.O.M. - Contos e descontos da Filosofia da vida, por Mônica.

Nano Kid - As aventuras de Nano Kid no imenso planeta Terra.

Dri Polacco - Sempre fina, sempre elegante e sempre Dri.

No Divã - As moças – e o moço – cor de rosa choque.

Taynar Costa - Textos brilhantes de uma garota maravilhosa.

Dany Chasez - Deliciosamente nerd. Confira!

Tsubasa Chronicles - Não é o anime, é o Kami.

Closing Time - A pista vai fechar. Saideira na jukebox.

Memoirs - Não é a gueixa, mas com certeza prenderá atenção.

E quem está ouvindo?

S2 Lekkerding. Design by ♥ | Este blog pertence a Raphaella Reis. O uso do material contido neste site não é permitido.