Depois do jato de água gelada despejado no último post, é melhor falar de algo mais promissor. Faz tempo que não falo aqui de coisas da sala de aula. E provavelmente você acha que estou 30 dias atrasada falando disso – mas eis que cheguei na hora certa!
As aulas já começaram. Faculdade, aqui vamos nós. Fevereiro é um péssimo mês pra começar qualquer coisa: povo voltando a passo de lesma das férias, e sem fazer questão de acelerar, porque o Carnaval bate à porta. Além disso, festividades para recepção de novos alunos duram mais que casamento em 1600 e bolinha. Nem os professores são um primor de disciplina nessas horas. O segundo mês do ano é uma mamata só.
E chega março. Agora, a coisa fica séria. Só que, por conta da bagunça de fevereiro, muitos alunos ainda se encontram fora do fuso-horário acadêmico e não sabem bem como proceder pra entrar em forma e ajustar o relógio interno. Pensando nisso, resolvi pensar em algumas dicas que não me foram dadas na minha época – e que poderiam evitar alguns percalços acadêmicos – e escrever esse post. Espero que ajude bastante no ajuste do fuso-horário acadêmico de vocês – se agüentarem até o fim, claro.
Mostre a cara – não entre no papo macio de veteranos que conseguem levar a faculdade na flauta e passam seus dias no bar. Lembre-se: o veterano está ali há um bom tempo. Já fez amizades e conchavos com os professores, coordenadoria, reitoria e afins. Ele tem como se salvar por ser conhecido – e NÃO vai usar sua influência pra ajudar o Zé Ninguém que acabou de chegar, via vestibular, transferência ou whatever. Apareça em sala de aula, responda chamada, assine lista, fique de olho nas suas faltas. Sempre. Seja pontual – é da sala de aula que saem muitas recomendações de estágio/emprego definitivo. Seus colegas e professores avaliam você desde o primeiro dia, e não se preocupam com a sua beleza. Estão de olho no seu compromisso com a carreira, que se manifesta nas suas faltas, nas vezes em que você vem pra aula sem sequer um papelzinho pra anotar coisas, na porcentagem de bocejos durante as aulas, nas tagarelices e… Na pontualidade. Chegar atrasado uma vez ou outra, acontece. Mas chegar todo dia na segunda aula ou depois do intervalo dá medo nos professores – se te recomendarem pra um escritório, você chega à entrevista 3 horas depois? Horários são um saco. Concordo plenamente. Mas existem razões para serem cumpridos. Participe – sabe por que o cara estranho que senta lá na frente é um dos queridos do professor? Não é pelo puxa-saquismo, é pelo interesse. Seu professor de Matemática SABE que a matéria é um saco. Mas ele tem obrigação de te ensinar. E você tem obrigação de aprender. Colabore com os professores. Preste atenção, pergunte coisas – pertinentes, não adianta você questionar o sentido da vida numa aula de Direito Tributário – traga assuntos bacanas pra debate, sugira atividades que tornem a aula mais legal. Essa última eu recomendo VIVAMENTE: se o professor gostar da sugestão, vocês terão algo bacana de fazer e reduzirão consideravelmente a carga de aulas chatíssimas. Desça do salto – se tem uma coisa que todo mundo detesta, é o aluno tapado que realmente acredita que paga salário do professor. Você é um desses? Então deixe-me explicar uma coisa: a mensalidade serve pra pagar os serviços fornecidos pela instituição de ensino. A instituição paga para que ele forneça uma parte dos serviços contratados por você. Você paga a AULA, não o PROFESSOR. Desça do salto e acorde para o mundo: o professor NÃO é seu empregado e você NÃO faz o que quer em sala de aula. Quando você pegar dependências demais e repetir o ano, não é culpa do professor: a obrigação dele com a faculdade foi cumprida, ele deu as aulas. E você, aprendeu? Não? Azar. Você quem não cumpriu a sua parte. Seja sociável – eu entendo as pessoas que gostam de ficar sozinhas. Mas na faculdade você QUER se dar bem com todo mundo, ter poucas pendengas, ser bem recomendado pelos colegas e estar sempre informado dos eventos – sociais ou não – que ocorrem. Por quê? Duas coisas: primeiro que isso é networking em sua forma mais rudimentar. Segundo que é essa parte sociável que vai te levar do calouro/transferido/whatever esquisito e em apuros para o veterano agradável que sempre dá um jeito nas coisas.A malandragem está aqui, na sua sociabilidade. Saiba estudar – ninguém precisa passar a vida com a cara enterrada nos livros, mas nunca abri-los também não é recomendado. Exercite seu conhecimento conversando com quem sabe mais, observe os fatos do dia e tente imaginar como a matéria se encaixa neles, leia um pouco pela internet, participe de fóruns, aproveite aqueles “preciosos” momentos no trem, no ônibus ou metrô pra reler suas anotações ou o livro didático… O importante é estudar aproveitando todos os momentos possíveis e dispondo de todas as maneiras existentes. Sem decoreba, só usando a cabeça.
No mais, aproveite. Mesmo que você não goste muito do que estuda agora, quando acabar verá que todo esse tempo dedicado fez diferença em você – e no mundo que te cerca. Nunca acredite que aprender QUALQUER coisa não compensa: um dia você poderá aplicar aquele conhecimento julgado inútil e vai se arrepender de pensar assim. Quando aprendemos coisas, crescemos. Somos um pouco mais que o que éramos antes, na ignorância. No ginásio, no colegial, na faculdade, na pós, no mestrado, no MBA, no doutorado ou no PhD, você está num aprendizado de e para si, para a carreira, para a vida e para o mundo; não desperdice essas oportunidades preciosas.
booklover
E é isso. Até o próximo post – eu juro que será legal de ler. Leve, solto e fofinho. Quase Hello Kitty Pride. Ah, essa nem eu comprei… Mas será um post mais light, eu juro! Até lá.
Acho que você quis dizer ‘malandragem’ no bom sentido né ? Ser sociável é bom, ter uma boa relação com professores e coordenadores te ajuda a resolver problemas, melhorar o ambiente de aula, talvez ajude a conseguir um estágio/bolsa e entre seus amigos você pode acabar montando algum negócio com alguns deles.