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06 Abr Depois da última bomba, eu planejava publicar algo mais risonho e límpido, por assim dizer. Mas a realidade chama, sempre. Estes dias estão malucos. Sampa mudou de endereço e voltou uns 20 anos no tempo: no Rio de Janeiro, e sem piscinão. A vida anda cinzenta e gelada na selva de pedra. E traz mais uma da série “povo são os outros”. Compromisso. O que significa? Tudo bem, você pode até pegar o Aurélio pra conferir, ele é pai. Mas não adianta olhar a definição do vernáculo sem compreender o que isso representa na sua vida. Representa promessa, laço criado, elo muito forte. Você tem o costume de desatar seus laços? Quebrar suas correntes e promessas? Mas qual o problema de honrar o compromisso assumido? Temos compromissos diários. Com o espelho, com o mundo, trabalho, estudos… Enfim. Compromissos são assumidos por todos nós; a verdadeira glória é continuar honrando estas promessas feitas. Ninguém pensa muito nisso; assume e larga. E dá em Brasil – o governante que te promete algo assume um compromisso. Ele costuma honrar? A resposta é óbvia, só olhar o caro ex-governador José Serra, que já prometeu a São Paulo DUAS VEZES não largar o mandato no meio. Mas lá vai ele, de novo. Compromisso? ZERO. E qual o problema nisso? Bom, se você é paulistano e tentou nesta segunda(e na terça também, tava lindo de ver) cruzar a Marginal Tietê, você já sabe a resposta. E você, carioca ilhado, também sabe a resposta – todo dia, toda hora, quando lembra que seu governante vai chorar na TV em vez de tomar uma atitude (que seria o necessário pra honrar o compromisso com você).
Essa palavra pula bastante aqui. É de propósito. Compromissos são contratos verbais, de certa forma. Você assume uma obrigação, toma pra si uma responsabilidade. Governar o estado de São Paulo? GRANDE responsabilidade com o monte de gente que mora aqui – e esse estado é gigante. Presidir o Senado Federal? Não é só poder e helicóptero de graça. É um dever, uma obrigação contraída. Você precisa honrar a missão recebida (e com a qual você concordou PLENAMENTE quando tomou posse) de legislar em prol da nação, em todos os sentidos – sendo simplória. São compromissos, dos grandes. Ninguém os honra – a não ser na hora de receber o salário gordo, ou de promover a sucessão ao cargo. Repito: compromisso. Porque as campanhas eleitoreiras já começaram, apesar do compromisso que todo cidadão assume com as leis da nação de não violá-las, ou cumprir pena determinada por órgão competente caso o faça. As campanhas eleitoreiras começaram lá em 2008, quando muito se falou da sucessão de Lula. Sim, sucessão. Porque ao que parece, seu voto é dado como certo há anos e é garantido que você porá a filha do rei no trono – mas da última vez que chequei, Luís Inácio não era Orleans e Bragança. Dilma, muito menos. Mesmo não sendo herdeiros desse trono alucinógeno, eles contam com a sucessão. Estão tão certos disso que já esqueceram o compromisso com a lei, apesar dela se fazer presente (ou pelo menos tentar). Compromisso. As campanhas eleitoreiras estão à sua porta. E nas propagandas eleitorais, você verá essa palavra aos montes. Todos os candidatos – TODOS – vão dizer que tem um compromisso com você. Que sempre tiveram esse compromisso. Então, vão mostrar uma ou outra coisa que fizeram em seus respectivos cargos pra provar esse compromisso. Assumir é fácil, mas… É verdade que honraram as promessas? Nessa hora, cabe a você honrar o SEU compromisso. Ao contrário do que o cartaz no ônibus diz, o período eleitoral NÃO é uma festa da democracia. É um DEVER cívico. É um compromisso seu, com a sua nação. E caso você não saiba, povo é VOCÊ. Poder é VOCÊ. Patrão aqui é VOCÊ. As eleições não são bota-fora da PUC. São processos seletivos para que você, povo brasileiro, chefe supremo desse país, decida qual o candidato contratado (ui! Contrato, obrigação, compromisso) para administrar a sua nação. Você contrata o ser humano eleitoreiro pra cuidar dos seus hospitais, das suas escolas, das suas faculdades, das suas ruas, do seu pré-sal, enfim. O eleito cuidará disso pra você. Ele terá esse compromisso. O seu compromisso é ir votar direito, escolher o cara certo pra contratar. Encarar com seriedade. Com zelo. Com consciência. Lembre-se: votar NULO ou BRANCO não se encaixa no descrito acima. Parte desse compromisso de votar é olhar BEM todos os senhores eleitoreiros e avaliar quantas vezes eles realmente honraram seus compromissos com você e com a nação. É só olhar à sua volta: eles realmente honraram os compromissos assumidos, ou largaram e fingiram que estava tudo bem? Eles cumpriram as obrigações, ou deram espetáculos cubanos? Não precisa fazer muito. Só precisa pensar. Até a próxima, gente. Eu assumo um compromisso quando digo isso – e sempre volto. Eu honro meus compromissos. E vocês? :: Comentários » Deixe um comentário |
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Ainda não voto – e sinceramente, não sei se isso é bom ou ruim – só espero estar consciente quando chegar a hora.